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Em 1578, D. Álvaro de Castro, senhor de uma grande quinta situada adiante de Santa Marta, vinculou-a, antes de partir para África, à comunidade dominicana do Convento de S. Domingos de Benfica, com a obrigação daquela aí edificar um mosteiro da mesma ordem com todas as oficinas e afins. Esta congregação desistiu do legado, passando-o para Frei José Galrano que, a 25 de Novembro de 1699, mandou edificar, na dita propriedade, um Hospício de Missionários da Índia, dedicado a El-Rei D. Pedro II e a Santa Joana, Princesa de Portugal. Neste Hospício, foram realizadas importantes obras por ordem de El-Rei D. José I, que resultaram no convento das religiosas de Santa Joana.
Em 1755, o terramoto que assolou Lisboa fez alguns estragos no Convento de Santa Joana, tendo a sua reedificação sido concluída em 1766. As freiras ali residentes, em sinal de agradecimento a Deus pelo facto de as ter preservado, acolheram inúmeras pessoas que ali recorriam, lutando para que ali se construísse uma nova paróquia. Para ali transitaram as freiras do Mosteiro da Anunciada e algumas do Mosteiro da Rosa, formando uma comunidade única de religiosas chamada de Santa Joana.
A 11 de Fevereiro de 1770 criou-se uma nova paróquia no convento das religiosas dominicanas de Santa Joana com a invocação da mesma santa, no então chamado Bairro de Andaluz. O território da recém criada freguesia foi destacado da de S. José, bem como de pequenas parcelas de S. Sebastião da Pedreira e da Pena, através do alvará de 19 de Abril de 1780, instituído pela rainha D. Maria I, o qual aprovou o plano da divisão e translação das paróquias.
Com a remodelação de 1780, a freguesia passou a chamar-se do Santíssimo Coração de Jesus e a sede foi fixada na igreja do Hospício de Nossa Senhora do Carmo.
Em 1880, aquando das comemorações do tricentenário da morte do poeta Luís de Camões, decorreu a inauguração do Bairro Camões.
Com a Implantação da República, as denominações de várias paróquias civis foram alteradas, incluindo a do Coração de Jesus, que foi rebaptizada de Freguesia de Camões. Apenas na década de quarenta do século XX, quando Portugal retomou a sua tradição religiosa pela Concordata da Santa Sé, a freguesia assume o seu nome histórico de Coração de Jesus, nome que ainda hoje conserva.
Fontes bibliográficas:
Consiglieri, C. et al (1995), Pelas Freguesias de Lisboa de Campo de Ourique à Avenida, Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa
Junta de Freguesia do Coração de Jesus (1941), A propósito da mudança de nome da Freguesia de Camões ? exposição apresentada às Exmas. Entidades Competentes, Junta de Freguesia do Coração de Jesus, Lisboa
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